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imaginário cor de rosa

A história que nossas bonecas não contavam.


Em 1949, Simone de Beauvoir perguntou ao mundo: “Como pode realizar-se um ser humano dentro da condição feminina? Que caminhos lhe são abertos? Quais conduzem a um beco sem saída? Como encontrar a independência no seio da dependência? Que circunstâncias restringem a liberdade da mulher, e quais ela pode superar?” Perguntas que mais de seis décadas depois permanecem abertas.


Referências

A Barbie nasceu de um sonho erótico-machista da década de 50

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Na década de 50, quando a pílula anticoncepcional libertou a mulher do fado da maternidade, as bonecas não precisavam mais representar bebês ou crianças. Foi o que intuiu a dona da fábrica de brinquedos norte-americana Mattel, Ruth Handler, ao ver pela primeira vez uma boneca de peitos grandes, pernas longas, maquiagem e lábios carnudos, à venda em uma tabacaria na Alemanha. Ela não sabia, mas o objeto era uma reprodução de Bild Lilli, personagem de quadrinhos para adultos, criada por Reinhard Beuthien, no tablóide alemão "Bild". Na história, Bild Lili vivia de favores sexuais para senhores endinheirados na Alemanha do pós-guerra. Ruth levou a tal boneca para sua filha Bárbara que ficou absolutamente encantada. Daí para a reprodução do modelo foi um pulo e a boneca foi batizada como Barbie, em homenagem à menina. De lá para cá, a Barbie mudou, ganhou novos tons de pele, cabelos e até profissão. Mas, infelizmente, seu corpo ainda tem as medidas tirânicas da personagem sexy que habitava o imaginário erótico-machista do homem da década de 50. Segundo pesquisa da Universidade de Helsinque, se a Barbie fosse uma mulher real teria 1,68 metro de altura, 50 centímetros de cintura, 69 de busto e 73 de quadril. Ou seja, seria tão magra que deixaria de menstruar normalmente.

Vídeos e documentários que valem ser vistos

“Ninguém nasce mulher; torna-se mulher". Ou homem. Ou o que quiser. O mundo das “burneshas”, mulheres albanesas que mantêm viva tradição de cinco séculos, de viver como homem para liderar a família, mantendo a virgindade.


Por que a Cinderela, criada na década de 50, ainda encanta crianças até hoje? Pesquisa da antropóloga Michele Escoura, da USP.

Documentário sobre jovens guerreiras curdas que lutam contra o estado islâmico. Além da proteção militar que elas oferecem, o grupo enfrenta a cultura machista enraizada na região, o que está redefinindo o papel das mulheres no oriente médio.

No documentário "As tatuagens da vovó", a cineasta libanesa Suzanne Khardalian faz uma viagem à história de sua própria família para investigar a terrível verdade por trás das estranhas tatuagens de sua avó e, no processo, revela a história das mulheres armênias expulsas da Turquia otomana durante a Primeira Guerra Mundial (em inglês).

Vídeo criado pela FCKH8, empresa norte-americana que vende camisetas com mensagens ativistas de anti-racismo e pró igualdade de gênero, de forma que a roupa funcione como mini outdoor pela rua.

O poder da propaganda. Nesse trabalho, o videoartista norte-americano Jason Simon, mostra o processo de produção de alguns comerciais de televisão que marcaram época. Simon desconstrói sete comerciais a partir dos roteiros enviados pela agência de propaganda à produtora de filmes. Os memorandos revelam o elevado grau de intencionalidade ideológica na fabricação do desejo. O filme é de 1987, mas continua super atual.


“Na evocação de Antígona ecoa a inconformidade de gerações de mulheres que no último século recusaram o decreto de ausência e de silêncio que as excluía do político desafiara a condenação social e pisaram ainda que com passos incertos os territórios do masculino.” Brilhante conferência de Rosiska Darcy de Oliveira sobre o mito de Antígona.

Interessante trabalho do fotógrafo norte-americano Brian McCarthy. Como parte de um projeto terapêutico voltado para crianças afetadas por conflitos armados, desde 2011, ele viaja para áreas de guerra e campos de refugiados. Ali, os desenhos e histórias recolhidos através de entrevistas com as crianças servem de roteiro para suas fotografias com brinquedos. O projeto utiliza princípios e práticas de arte-terapia para superação de traumas de guerra.